Por Market Analysis
Com o que os consumidores se preocupam ao redor do mundo? Quais são as expectativas econômicas, sociais e ambientais? O que chama mais a atenção diante de situações em que crise econômica, catástrofes ambientais e problemas políticos se cruzam? As respostas a essas perguntas – e, sobretudo, a compreensão das preocupações dos consumidores – fornecem às grandes empresas, cada vez mais globalizadas, um mapa de prioridades; uma espécie de “carta de navegação” sobre como agir com efetividade, tornando-se agentes socioambientalmente responsáveis.
Nesse sentido, uma das principais revelações desta edição do Barômetro Ambiental é que, nos últimos anos, a preocupação com o meio ambiente tem deixado de ficar restrita a determinados segmentos da comunidade internacional para se transformar em uma inquietação mundial comum.
Em diversos países, uma atenção adicional tem sido dada às mudanças climáticas, ao aquecimento global, à preservação dos recursos naturais, ao impacto da superpopulação, entre outros temas ligados à qualidade do meio ambiente. E o mais interessante: mesmo naqueles países que ainda sofrem as conseqüências adversas do desemprego e da estagnação econômica, a atenção às condições ambientais e climáticas surge forte como preocupação central na agenda do grande público.
Tal como ilustra o gráfico 1, as preocupações ambientais vêm mantendo uma base relativamente alta entre as prioridades do público mundial desde inícios desta década, ganhando mais ou menos força segundo o estado da economia e a oferta de empregos. Essa contraposição das sensibilidades ambientais e econômicas, que povoa o discurso contrário a uma visão da prosperidade e bem-estar mais atenta à qualidade de vida e do meio ambiente, indica o tamanho do desafio que as organizações comprometidas com um modelo de economia sustentável têm pela frente; principalmente, o de conciliar – com persuasão comunicacional e efetividade presencial – uma proposta de segurança material e realização profissional que seja, ao mesmo tempo, de carbono neutro.
Os dados também indicam que a velha oposição entre priorizar o combate à pobreza ou a proteção do meio ambiente parou de ecoar na cabeça dos consumidores. Nos últimos anos, segundo as respostas dos cidadãos entrevistados em 19 países, tem emergido um consenso de que as duas considerações necessitam ser trabalhadas em harmonia: o reconhecimento dos problemas de erradicação da fome e da pobreza não sacrifica soluções que contemplem a qualidade ambiental. Pelo contrário, percebe-se, como opção mais eficaz, um direcionamento de ambos os assuntos, antecipando a legitimação de um modelo ao mesmo tempo amigável ao meio ambiente e capaz de demonstrar vitalidade econômica para equacionar os déficits sociais.
É claro que o contexto influi. E, embora as dinâmicas sejam semelhantes em países desenvolvidos e emergentes, a intensidade e velocidade com que ocorrem são diferentes (gráfico 2).
Nas sociedades desenvolvidas, a tensão entre prioridade à estabilidade econômica ou ao meio ambiente quase inexiste (as duas curvas correm paralelas), embora ganhe nuances a partir da crise de 2008-09. Na época, os dados apontavam um clima mais conciliador da opinião pública, e que, portanto, teria sido
receptivo à implementação de “pacotes verdes” de estímulo econômico para sair da recessão. Nas sociedades emergentes essa mesma lógica também ocorreu e ainda vale para a ênfase ao desemprego e à inquietação com os problemas ambientais e climáticos. Em outras palavras, as nações em desenvolvimento manifestavam – e seguem manifestando – amplo consenso para uma política afirmativa de geração de empregos verdes, já que ambas as prioridades não são tidas como antagônicas.
Uma parte da leitura das preocupações globais sinaliza, portanto, um terreno fértil para a consolidação de uma economia de baixo carbono. Essa latente preferência universal por um modelo de prosperidade que leve em conta a pegada ambiental pode ser reconhecida pela correlação entre a intensidade de apreensões pelo meio ambiente e o impacto ecológico de cada sociedade. Na versão convencional, só economias maduras e com baixos passivos ambientais poderiam se dar ao luxo de apostar num modelo verde de desenvolvimento. Os dados do gráfico 3, entretanto, apontam que países emergentes e com performance ambiental negativa – como China, Nigéria ou Indonésia – hospedam um número de cidadãos altamente sensíveis às questões ecológicas, comparável ao das nações desenvolvidas e com melhor atuação ambiental, como Reino Unido, França ou Canadá.





