Por Cristina Tavelin
Primeiro dia do II Fórum Global de Sustentabilidade SWU – Starts With You. Uma ansiedade generalizada toma conta dos presentes no Teatro Municipal de Paulínia para ver de perto… Neil Young! O músico canadense deu início ao fórum repleto de personalidades.
Em sua palestra, o “padrinho” do evento destacou a necessidade do consumo de produtos locais para redução de gases de efeito estufa e o uso de biocombustíveis em automóveis – Young transformou seu Lincoln Continental Mark IV, do final dos anos 50, em um veículo verde, a biodiesel. Ainda enfatizou a importância do engajamento dos jovens com a sustentabilidade, no dia em que comemorava 66 anos. “Começa com vocês. É tarde demais para mim”, disse, brincando com o mote do festival.
No mesmo dia, a prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchú arrancou aplausos da plateia por suas reflexões sobre a civilização atual em contraponto às culturas milenares, especificamente a dos Maias, na qual teve sua criação baseada. “Precisamos deixar de ver a terra do ponto de vista comercial e passar a enxergá-la do ponto de vista de produção de vida”, destacou.
No segundo dia de fórum, a ex-ministra Marina Silva falou sobre as várias crises paralelas em que vivemos – social, econômica, ambiental, cultural, política e de valores. Sobre debater sustentabilidade num evento de música, disse que a ação contribui para amplificar a discussão. “É preciso inserir o tema nos diferentes espaços de convivência, dentro das empresas, das universidades, nos momentos de lazer. Isso ajuda a torná-lo mais atrativo, porque tem tudo a ver com mudança de atitude. A grande utopia deste século é a sustentabilidade.”
Também no segundo dia, a atriz e ativista norte-americana Daryl Hannah causou frisson na plateia. Engajada com questões de energia, a fundadora da Sustainable Biodiesel Alliance (SBA) falou empolgada aos jornalistas: “Não acredito que todos os artistas devam pregar uma mensagem; alguns nos fazem rir, outros chorar, são coisas diferentes. Mas realmente temos uma ferramenta incrível nas mãos. O planeta passa por tantas crises no momento que todos devemos conversar sobre elas, não importa a profissão. Devemos nos informar e espalhar a palavra.”
Para não deixar a música de fora do debate, Anne Gabriel, filha de Peter Gabriel, trouxe a experiência da ONG The Voice Project à Paulínia. A organização ajuda mães de jovens sequestrados em Uganda, no sul do Sudão, a enviar mensagens a seus filhos. Raptados durante a guerra civil, e muitas vezes obrigados a cometer atrocidades contra a própria família, esses soldados muitas vezes não retornam às suas casas. Para chamá-los de volta, as mulheres começaram a compor músicas, que são levadas para rádios locais pela organização. Também são produzidos vídeos para sensibilizar a população local.
No terceiro e último dia, foi a vez de Bob Geldof deixar seu recado. O músico e idealizador do concerto Live Aid – já indicado ao Nobel da Paz -, ressaltou a importância e a força dos países em desenvolvimento dentro de uma nova economia global emergente.
Apesar de tantas personalidades e dos bons projetos apresentados, a desconexão entre festival e debate foi gritante. Quem estava lá pela música – amassando barro e com poucas opções de descarte do lixo -, mal sabia o que acontecia dentro do fórum. E os lugares vagos no teatro, mesmo nas palestras mais instigantes e motivadoras, deixaram essa sensação mais evidente. Integrar a sustentabilidade, de fato, em eventos de grande porte, continua sendo um desafio.






