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OPINIÃO
Por Renata Cook Na história em quadrinhos Charlie Brown e sua Turma, Lucy e Linus olhavam bilhões de estrelas no céu à noite, quando de repente observam uma estrela cadente. Lucy comenta: “Lá se vai mais uma estrela morrendo.” Linus, segurando seu cobertor, olha para o lado preocupado e diz: “O que eu, como indivíduo, posso fazer para evitar?” Há 80 anos éramos 2 bilhões de pessoas e hoje somos 7 bilhões que se alimentam, consomem água, energia, terra e ar. Agimos como se não houvesse nada de novo no front, simplesmente porque essa informação é ameaçadora demais e somos pequenos demais para poder fazer alguma coisa. Certo? Errado para um punhado de gente, que não são poucas, mas não ainda o suficiente para a mudança de funcionamento do jeito de vivermos. Essas pessoas são os líderes sustentáveis. E ser um líder sustentável é enfrentar desafios gigantescos com a mesma naturalidade com que se levanta da cama de manhã. Minha experiência de trabalho tem demonstrado que nem todo mundo é 100 % sustentável, mas nem todo mundo é 100% insustentável. A grande diferença é que os líderes de verdade procuram focar no que conseguiram e não no que falta, jogam luz no positivo, fazem isso com prazer e alegria e inspiram outros para que se mobilizem e transformem. Líderes sustentáveis são pessoas comuns, que escolhem conhecer e enfrentar o lado escuro. Não temem, caminham no seu passo, com uma noção delineada do todo. Têm a visão do sistema, a meta clara, persistência, estratégia e estimulam a criatividade. Têm muitos atributos, mas o que dá o tom é um só: são coerentes com seus princípios mais básicos, seus valores mais primários e, como bem lembra Fritoj Capra, “criam uma visão, habilitam a comunidade a criar alguma coisa nova”. Há mais de 30 anos, participei de um estudo para descobrir o que havia em comum entre comunicadores bem-sucedidos, algo similar ao recém-lançado livro Conversas com Líderes Sustentáveis, de Ricardo Voltolini. Procurava saber quais as características dos grandes comunicadores que os tornam pessoas tão queridas e bem-sucedidas. O estudo descobriu o mesmo que Voltolini, entrevistando CEOs que fizeram a diferença. Grandes comunicadores, como Chacrinha, Hebe Camargo, Faustão, Silvio Santos, Roberto Carlos e outros, não tinham códigos ou pretendiam ser diferentes do que eram. Estavam ou estão em total convergência com seu íntimo, falam e agem como pensam e, por isso, falam diretamente à emoção. Não têm códigos, são transparentes. Líderes sustentáveis são assim, agem e estão totalmente de acordo com suas crenças. Podemos aprender a ser líderes sustentáveis? Lógico. Porque podemos nos aprimorar, podemos desenvolver visão sistêmica, estratégica e tática, podemos ver a floresta e ver a árvore, o panorama e a parte, fazer um plano e segui-lo. Podemos estimular a criatividade. As empresas, com sua necessidade de subsistência de longo prazo, sabem disso e já perceberam que a perenidade do negócio passa por esse ângulo. Sem cuidar das pessoas, dos recursos primários e lucrar com isso, a empresa sucumbirá. Precisamos contaminar mais segmentos com essa visão: a Copa, a CBF, a Política; em Meca, Moóca, Medina e Mascate; nos governos e nas comunidades. Ser líder é voltar a pensar na unidade, na “singularidade”, e agir como partícula, sem deixar de pensar no todo. Como fazer isso? Cada um tem um jeito pessoal e intransferível, mas TODOS podemos despertar a paixão, despertar nas pessoas o modo inovador no fazer, sem medo de ousar. Uma palestra inspiradora do TED – Ideas Worth Spreading 2006, de Sir Ken Robinson (autor, palestrante, consultor e conselheiro em Educação e nas Artes para governos e ONGs), mostra que começamos a repensar de forma inovadora e simples a educação. Educar, segundo ele, é só não cercear a criatividade. Sir Ken diz que na grande maioria das escolas acredita-se que Matemática e Línguas são mais importantes do que Música e Artes Plásticas, Teatro, Dança e Esportes. Demonstra que começamos cuidando do corpo e da mente e, a partir de um momento, nos concentramos na cabeça e depois num lado só do cérebro, e esquecemos que não somos um robô carregando uma cabeça. No processo, perdemos a capacidade criativa, movimentos do corpo e da alma e do processo criativo. E, perdendo o processo criativo, milhões passam a vida fazendo coisas pelas quais não têm paixão. Toda empresa se energiza ao assumir um posicionamento e uma identidade a partir da sustentabilidade como estratégia de negócios, assim como todo clube, todas as federações, todas as escolas, todos os governos, todas as comunidades. E todos nós podemos fazer alguma coisa. Basta fazer a pergunta de Linus: o que eu, como indivíduo, posso fazer para que 7 bilhões convivam com dignidade e alegria neste planeta? Olhando para dentro de si, conhecendo-se, cada um saberá a resposta. Renata Cook, mulher do Robert, avó da Julia e do Felipe, sócia da Setor 2 ½ Comunicação , Marketing e Branding da Sustentabilidade, já se fez essa pergunta. 1 comentário
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