32 livros para entender sustentabilidade

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Este artigo atende ao pedido de alunos e clientes por uma bibliografia básica para interessados em sustentabilidade. Não vou cair na tentação de sugerir um ranking, embora listas sejam uma fixação contemporânea como bem captou Umberto Eco em seu livro A Vertigem das Listas. Waine Visser, de Cambridge, já se deu a este trabalho em 2009 com o seu 50 Melhores Livros de Sustentabilidade. A WiseEarth, de Paul Hawken, também já fez o seu.

Livre, portanto, da inglória missão de definir “a” lista de melhores, arrisco indicar os livros que considero leitura referencial, começando pelos cinco mais clássicos entre os clássicos: o precursor Primavera Silenciosa (Rachel Carson,1962), O Negócio é ser Pequeno (E.F.Schumacher, 1973), Gaia (James Lovelock, 1979), Do Berço ao Berço (William McDonough e Michael Braungart); e A Ecologia do Comércio (Paul Hawken, 1993)– esta última obra provocou o empresário Ray Anderson a transformar a sua empresa de carpetes, a InterfaceFlor, em ícone global de mudança para a sustentabilidade.

Se livros têm o poder de mudar paradigmas, esses quatro são excelentes exemplos. A metáfora da primavera triste de Carson foi decisiva para a proibição do DDT nos pesticidas. Schumacker, com a tese de que uma economia baseada em crescimento é em si insustentável; e Lovelock, defensor da ideia de que a Terra equivale a um sistema vivo que se autorregula, influenciaram pensadores de diferentes áreas do conhecimento. Com a ascensão mais recente do conceito de economia circular, McDonough e Braungart voltaram a ser devidamente cultuados no altar do mundo corporativo.

Sou um leitor emocional, confesso. Há quatro obras que me arrebataram profundamente, levando-me a insights poderosos, como O Banqueiro dos Pobres (Muhammad Yunus, 1999); Sem Logo (Naomi Klein, 1999); Meu Jeito de Fazer Negócios (Anita Rodick, 2000); e O Ponto de Mutação (Fritjof Capra,1982), com quem pude estar junto em, pelo menos, três eventos no Brasil.

Pioneira do movimento de responsabilidade social empresarial, Anita foi uma inspiração permanente ao longo de todo o processo de elaboração do meu primeiro livro Conversas com Líderes Sustentáveis. E em Capra, tomei contato, ainda adolescente, com a noção de interdependência e de teia da vida, que estrutura, de algum modo, o próprio conceito de sustentabilidade. Levo-o até hoje na minha formação.

Não poderia deixar de citar os que representam documentos importantes em suas épocas. São quatro os casos. Encomendado pelo Clube de Roma no início dos anos 1970, Limites do Crescimento (Donella Meadows, Dennis Meadows, Jorgen Randers e William Behrens,1972) foi o primeiro relatório internacional a apontar o impacto do crescimento econômico no esgotamento dos recursos naturais. Nosso Futuro Comum (Gro Bruntland, 1987), não só confirmou algumas das conclusões do Clube de Roma como propôs, na forma de solução, o hoje consagrado conceito de desenvolvimento sustentável.

Com Uma verdade Inconveniente (2006), o ex-vice presidente Al Gore organizou os dados mais alarmantes das pesquisas do clima, botou numa linguagem acessível em livro e filme e fez a mensagem pró-economia de baixo carbono rodar pelo mundo. E em A Economia da Mudança Climática (2007), Nicholas Stern, da London School of Economics, deu números redondos aos custos da inércia em relação ao aquecimento global, cravando o percentual de 1% do PIB mundial como o montante necessário para bancar anualmente ações de prevenção e adaptação ao esquentamento do planeta.

Na condição de leitor passional e imaginativo, considero-me vaidoso das ideias que adquiro, como se os autores as tivessem contado primeiro para mim. Assim, gosto de saber que obras referenciais em minha vida também marcaram a de tantos líderes. Entre elas, destaco Canibais de Garfo e Faca (John Elkington,1997), O Espírito Faminto (Charles Handy, 1997); Desenvolvimento como Liberdade(Amartya Sem,1997); Presença (Peter Senge, Otto Scharmer e outros,2006); A Riqueza na Base da Pirâmide (C.K. Prahalad, 2004); e O fim da pobreza(Jeffrey Sachs, 2005.)

Restou-me, ao final da leitura de cada um desses seis livros, absolutamente inovadores, a agradável sensação – talvez a melhor que um livro possa proporcionar – de ter aprendido o equivalente a um curso de especialização pelo preço de um almoço self service.

Considerando que o debate da sustentabilidade implica, a rigor, uma crítica ao business as usual e uma tentativa de revisão dos fundamentos do modelo econômico prevalente, quatro outros títulos da minha lista colocam o capitalismo no divã. São eles: O Capitalismo na Encruzilhada (Stuart Hart, 2005); Capitalismo Natural (Paul Hawken, Amory Lovins e Hunter Lovins,1999); A Crise do Capitalismo Global (George Soros, 1998); e Capitalismo como se o mundo fosse importante (Jonathan Porrit, 2005). Todos valem cada parágrafo, por diferentes razões. Apenas os três primeiros, no entanto, foram publicados em Português (respectivamente pelas editoras Cultrix/2010, Bookman/2006 e Campus/1999).

Hawken, Amory e Hunter Lovins sugerem quatro estratégias conceitualmente claras na construção de um capitalismo “natural”: aumento radical da produtividade de recursos, criação de modelos de produção e materiais inspirados na natureza, e de modelos de negócio baseados em “serviço e fluxo” e reinvestimento em capital natural.

Para tirar o capitalismo da “encruzilhada”, Hart recomenda às empresas quatro ações visando criar o que chama de “valor sustentável”: reduzir o consumo de material e poluição, operar em níveis mais elevados de transparência ao longo do ciclo de vida do produto, desenvolver tecnologias de ruptura que reduzam o tamanho da pegada humana no planeta e satisfazer os que estão na base da pirâmide, facilitando a distribuição de renda inclusiva.

Compõem ainda a minha estante essencial obras de consulta regular que têm me ajudado, ao longo da minha vida profissional, a compreender melhor os diferentes desafios ligados ao tema, como, por exemplo, A Economia Verde, de Joel Makower; A Vantagem da Sustentabilidade, de Bob Willard e Plano B 4.0, de Lester Brown – livro que tive a honra e a alegria de editar no Brasil, em 2011, pela Ideia Sustentável. Também figuram nessa cesta bibliográfica básica outros seis títulos: Inteligência Ecológica (Daniel Goleman); The Natural Step (Karl-Henrik Robert); A Empresa Sustentável (Andrew Savitz); Verde que Vale Ouro (Daniel Easty e Andrew Winston); A Urgência do Presente (Israel Klabin, 2011) e Muito Além da Economia Verde (Ricardo Abramovay, 2012)

Esta é, pois, a minha lista. Desafio você a montar também a sua.

Ricardo Voltolini é jornalista, consultor, palestrante, diretor-presidente da consultoria Ideia Sustentável: Conhecimento e Estratégia em Sustentabilidade (www.ideiasustentavel.com.br), autor de cinco livros, entre eles Conversas com Líderes Sustentáveis e Sustentabilidade com o Fonte de Inovação; e fundador da Plataforma Liderança Sustentável.




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