5º Estudo NEXT – Eficiência energética – Tendência 3: Identificação de focos de ineficiência

Tornar mais eficientes os processos de geração e distribuição energética é também uma fonte de energia em si: o que não se desperdiça, afinal, converte-se em economia, maior segurança no fornecimento e redução de emissões de gases de efeito estufa. Muitas vezes desvalorizada, a eficiência revela-se peça-chave para a sustentabilidade ambiental e econômica do sistema energético

Eficiência, uma fonte de energia


Diante do cenário atual de mudanças climáticas e escassez de recursos energéticos, é preciso mais do que restringir soluções à busca de fontes alternativas aos combustíveis fósseis: antes de qualquer iniciativa, vem a redução dos focos de ineficiência, inclusive nos pontos finais do uso da energia, como carros, aparelhos eletrônicos e edifícios. De agora em diante, políticas, investimentos e inovações devem se pautar pelo princípio do uso mais racional possível.

Todos os especialistas ouvidos pelo NEXT concordam que eliminar desperdícios é a melhor política de energia. Segundo João Salgueiro de Souza, gerente nacional de Vendas, Energia e Sustentabilidade da Schneider Electric, “existe uma cultura no Brasil de se esperar por uma solução mágica.

Quando se fala em um eventual racionamento, o consumidor imediatamente pensa em instalar um gerador próprio ou implementar alguma forma de produzir energia renovável. Antes de pensar em novas fontes, porém, precisa-se atacar a ineficiência”.

Lançado em 2014, o relatório World Energy Investment Outlook: Factsheet Energy Efficiency (Perspectiva de Investimento Mundial em Energia: Informativo de Eficiência Energética) da International Energy Agency (IEA), conclui que investimentos em eficiência energética têm potencial para economizar US$ 18 trilhões até 2035.

Em 2013, destinaram-se US$ 130 bilhões a melhorias de processos de geração/distribuição de energia em todo o mundo, o equivalente a 13% do valor empregado em combustíveis fósseis e a pouco mais da metade dos US$ 240 bilhões direcionados a fontes renováveis.

Ainda segundo a IEA, os investimentos em eficiência energética tendem a quadruplicar até 2035, atingindo US$ 550 bilhões por ano. Do total, 62% serão voltados ao setor de transportes; 29%, ao de construção; e 9%, à indústria. Juntas, União Europeia, América do Norte e China detêm 2/3 do valor, devido a seus extensos mercados automobilísticos e aos padrões de qualidade que os regem.

Já nos países emergentes, muitas vezes com incentivos aos combustíveis fósseis e sem políticas socioambientais rígidas, a eficiência ainda enfrentará grandes desafios.

Cálculos da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO) indicam que o desperdício no Brasil chegue a R$ 22 bilhões ao ano, sendo 50% desse total referentes à eletricidade. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) exige das distribuidoras a destinação de 0,5% das receitas operacionais líquidas a iniciativas de combate ao desperdício.

Empresas e consumidores sentem diretamente os impactos da administração da energia no bolso. Se bem feita, gera economia; se mal, pesa nas contas do final do mês. A indústria, maior consumidora energética do Brasil (33,9% em 2013), tem muito a ganhar com medidas de eficiência, que podem gerar, segundo a IEA, a cada dólar investido, 2,5 vezes mais em ganhos de produtividade.

As oportunidades são tantas que já existe um tipo de organização especializada em promover a eficiência energética: as Energy Saving Company (ESCOs) são empresas de engenharia que oferecem serviços de conservação de energia (e também de água) com foco no desempenho das instalações de seus clientes.

Já no setor público – mais especificamente no Brasil – têm-se iniciativas como o Programa Nacional de Racionalização do Uso de Derivados de Petróleo e do Gás Natural (CONPET) e o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL).

Com este último, aliás, estima-se que o país economizou aproximadamente 9,744 bilhões de kWh em 2013, evitando a emissão de 935 mil tCO2eq. A norma ISO 50.001, de gestão de energia, é também uma medida para que as empresas verifiquem seus desperdícios.

A promoção da eficiência energética depende de ações coordenadas, sistematizadas e contínuas, tanto públicas quanto privadas, que venham a produzir resultados tanto econômicos quanto socioambientais, justificando, com números, a transição efetiva para um sistema de matrizes mais ecoeficientes e sustentáveis.

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