5º Estudo NEXT – Eficiência energética – Tendência 6: Educação para o consumo consciente de energia

Empresas, governos e cidadãos compartilham responsabilidades sobre o uso da energia. Desenvolver tecnologias e métodos para evitar desperdícios nos processos produtivos, criar políticas consistentes de eficiência e idealizar mecanismos para esclarecer pessoas sobre os impactos de seus hábitos de consumo são formas de promover uma “educação generalizada” para o uso consciente dos recursos energéticos

Muito além da informação: educação

Segundo dados do Balanço Energético Nacional de 2014, as indústrias consomem, sozinhas, aproximadamente 34% da energia no Brasil, seguidas pelo transporte de cargas e mobilidade das pessoas (32%) e pelo próprio setor energético (10%).

Considerando a pequena diferença percentual entre o primeiro e segundo grupos, impõe-se a necessidade tanto de constante inovação em produtos e processos mais eficientes quanto  da educação de consumidores para o consumo adequado de energia.Educar, contudo, não significa apenas fornecer informações, e sim instruir, elucidar, promover mudanças de hábitos de compra e uso.

Quanto mais criativos os meios de educação do consumidor, melhores os seus efeitos. Aplicativos de celular que destaquem diferenças entre lâmpadas LED e fluorescentes, por exemplo, enumerando vantagens do produto mais sustentável e poupando as pessoas de realizar, elas mesmas, comparações e análises, podem servir como recurso educativo. Ajudam também aparelhos com design inovador que propicie um funcionamento mais eficiente, baseado nas condições do local de uso/instalação.

É preciso aproveitar a predisposição atual dos consumidores para educá-los de modo mais consistente, no sentido de criar uma cultura de sustentabilidade. De acordo com o relatório da consultoria Nielsen, Doing Well By Doing Good (Fazendo Bem Fazendo o Bem), de 2014, mais da metade (55%) de 30 mil consumidores de 60 países aceita desembolsar quantias maiores por produtos e serviços comprometidos com a redução de impactos socioambientais.

Também da Nielsen, a pesquisa U.S. Consumer Energy Sentiments Report (Relatório de Emoções sobre o Uso de Energia dos Consumidores Americanos), revela uma maior consciência entre as pessoas a respeito dos impactos que desejam evitar no meio ambiente a partir do melhor gerenciamento do uso de energia.

O sentimento de mudança, contudo, parece maior do que as ações de mudança, muitas vezes restritas aos atos de apagar as luzes quando não há ninguém no local (42%), desligar eletrodomésticos da tomada quando inativos (17%) ou substituir aparelhos velhos por novos (7%).

Os pesquisadores Dan Ariely e Aline Grüneisen, da Duke University, nos Estados Unidos, ressaltam a lacuna existente entre intenção e comportamento no artigo How to Turn Consumers Green (Como Tornar os Consumidores Ecológicos), de 2013, no qual rechaçam a ideia de indivíduos como “robôs racionais” – que apenas tomam decisões baseadas na maximização do lucro pessoal –, e os descrevem como “seres humanos capazes de sacrificar dinheiro e tempo em nome do seu bem-estar e das gerações futuras”.

Seguindo a crença nesse altruísmo possível, os pesquisadores da Universidade da Califórnia, Omar Asensio, Magali Delmas e Miriam Fischlein, afirmam que avanços tecnológicos e programas educacionais voltados para a redução do consumo de energia a partir de mudanças comportamentais deveriam andar juntos. Medidores inteligentes, por exemplo, com suas informações qualificadas e em tempo real, se associados a projetos de conscientização, elevam ainda mais a economia.

No estudo Information Strategies and Energy Conservation Behavior: A Meta-Analysis of Experimental Studiesfrom 1975 to 2012 (Estratégias de informação e Comportamento de Conservação de Energia: Uma meta-análise de Estudos Experimentais de 1975 a 2012), de 2013, eles defendem o aumento da consciência dos indivíduos sobre seu próprio uso de energia – tanto em termos de custos financeiros quanto de impactos ambientais – como um fator determinante para o entendimento da relevância e da urgência da conservação de recursos energéticos.

Os consumidores também são motivados a rever hábitos por meio de “jogos de competitividade”, como programas de acumulação de pontos e abatimentos na conta ou premiações para quem conseguir reduzir o uso de energia nos períodos de demanda mais elevada. Além disso, podem ser engajados por apelos públicos e políticas oficiais de eficiência energética, capazes de conscientizá-los e afetar significativamente seus comportamentos.

Empresas e governos são, afinal, responsáveis por educar consumidores, clientes e cidadãos, ampliando sua consciência sobre os benefícios e impactos do uso eficiente de energia. A conservação dos recursos energéticos, mais do que uma questão de prestígio de quem pratica, deve se tornar um dever cívico.

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