6º Estudo NEXT – Construção – Tendência 1: Promover externalidades sociais positivas na cadeia de valor

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Com enorme potencial para gerar legados positivos, a indústria da construção pode levantar a bandeira da gestão sustentável e promover uma significativa mudança em toda a sua cadeia de valor, beneficiando comunidades

Fazer mais com menos. Construindo um legado positivo

Conhecida pela alta rotatividade de trabalhadores, pelos lucros elevados e por satisfatórios retornos aos acionistas, a indústria da construção destaca-se em tamanho e empregabilidade. Em 2012, respondia por 12,2% do PIB mundial, e a projeção para 2025 é que esse número atinja 13,5%, segundo a consultoria Oxford Economics.

Contudo, na mesma proporção em que gera riqueza, o setor pode ser responsável por relevantes prejuízos ao bem-estar social e ao meio ambiente, se realizar as suas operações de modo inadequado, negligenciando direitos humanos, descuidando-se das melhores condições de saúde e trabalho e desconsiderando interesse e necessidades das comunidades onde atua.

Diante das atuais discussões de sustentabilidade, cabe-lhe escolher se segue fazendo o compliance, que se restringe ao atendimento de normas preventivas em relação a colaboradores e às pessoas do entorno, ou excede essa lógica de compensação, promovendo impactos sociais positivos.

No contexto empresarial, a lógica de compliance prevê ações voltadas para o cumprimento das leis e de regulamentos internos e externos a uma organização. Oferece, assim, suporte à gestão da ética nas companhias, previne e corrige infrações legais e incentiva mudanças de cultura. Normas como a ISO 9000 (gestão da qualidade), ISO 14000 (gestão ambiental) e ISO 26000 (responsabilidade social) têm auxiliado companhias interessadas em colocar a sustentabilidade em prática.

Os gestores da construção, mais especificamente, podem ainda se respaldar em Normas Técnicas (NBRs) e nas diretrizes propostas pelo OHSAS 18001, relativas à saúde e à segurança no trabalho – em 2013, o Ministério da Previdência Social estimou em 61.889 o número acidentes no setor, sendo ele o terceiro com o maior índice no país.

Merece distinção um recente projeto da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), chamado Ética e Compliance na Construção. Iniciado em maio de 2015, no auge de relevante crise de confiança no setor, ele se destina a auxiliar os empresários a conceberem programas baseados nos tópicos do diagrama a seguir, que evidencia a importância do comprometimento da alta liderança e a proatividade no envolvimento de stakeholders para vencer a corrupção e excluir possibilidades de práticas antiéticas, além de melhorar a reputação da empresa.

Em complemento às ações de compliance, um caminho mais ousado para os empreendedores do setor consiste em superar as práticas de mitigação de impactos sociais e empreender ações capazes de superar as expectativas legais. Trata-se de contribuir com mudanças para além dos canteiros de obras e incluir segmentos econômicos mais vulneráveis nas iniciativas de educação, saúde e sustentabilidade ambiental.

Garantir os investimentos nessas atividades é determinante para dar corpo ao processo de gestão sustentável e aperfeiçoar monitoramentos e avaliações. Assim, aprimora-se a comunicação das iniciativas a públicos internos e externos, ampliando a capacidade de uso de incentivos fiscais para melhor atender aos trabalhadores, suas famílias e comunidades.

Dados do estudo Um panorama da atuação social da indústria da construção, da CBIC, apontam que, em 2011, de 202 dirigentes de empresas atuantes em 12 regiões metropolitanas das principais capitais brasileiras, 58% praticavam alguma ação de responsabilidade social corporativa, como planejamento, avaliação de projetos, divulgação do conceito, contratação de consultores especializados, entre outras. A pesquisa recomenda ainda quatro passos para o engajamento do setor no tema:

1) Compreender o significado da responsabilidade social corporativa e da sustentabilidade. Nesse sentido, a ISO 26000 compõe um guia para os empresários do setor, abordando temas diversos, como envolvimento e desenvolvimento comunitário e boas práticas ambientais e trabalhistas.

2) Praticar o conhecimento, idealizando e colocando em prática projetos bem fundamentados.

3) Realizar a gestão das ações, não apenas incluindo-as no planejamento (conforme 65% das empresas ouvidas pela CBIC afirmam fazer), mas também monitorando e avaliando resultados (como fazem 58% delas). O intervalo de 7% entre os dois percentuais revela uma desconexão das ações sociais da estratégia organizacional, indicando lacunas na compreensão dos potenciais resultados da sustentabilidade para o setor.

Dentre as companhias que acompanham os dados, 41% usam relatórios, 14% têm instrumentos de controle de gestão da qualidade, 10% recorrem a pesquisas e—o que aponta um estágio de baixa maturidade– apenas 4% analisam o impacto das iniciativas no negócio (avaliação de custo-benefício).

4) Inspirar interna e externamente. Ao incorporar o conhecimento à prática e monitorar suas ações, a empresa tende a se tornar referência em sustentabilidade, com possibilidade tanto de envolver cada vez mais os seus colaboradores quanto de guiar as demais companhias do setor na busca por uma transformação positiva da sociedade.

Essa necessária mudança não cabe exclusivamente à indústria da construção. Mas a se considerar a sua força econômica e a magnitude de suas externalidades, o setor pode ser protagonista de um legado positivo para a sociedade se conseguir converter seus impactos em benefícios para as cidades, o meio ambiente, seus colaboradores e sua cadeia de stakeholders.

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