Sustentabilidade é a solução para o Agronegócio

O Índice de Confiança do Agronegócio fechou o primeiro trimestre de 2019 com 119,9 pontos. O número representa uma queda de 3,9 pontos em relação ao último trimestre de 2018. É o que aponta o estudo realizado pelo Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB),

Os segmentos que apresentaram maior queda no Índice de Confiança são os de insumos, produtores e empresas ligadas às cadeias agropecuárias. Entre os motivos da queda estão, principalmente, as questões relacionadas às condições do negócio, como crédito e produtividade. Apesar da queda, o índice ainda representa otimismo para o agronegócio, pois, de acordo com a metodologia, pontuações acima de 100 indicam confiança no setor.

“É importante notar que as entrevistas para o estudo foram realizadas em um momento em que os preços aos produtores ainda não haviam recuado com a intensidade que ocorreu em abril. Além disso, na época, muitos produtores sustentavam uma expectativa de que os custos com insumos poderiam melhorar ao longo do ano, mas isso até agora não aconteceu”, complementa Roberto Betancourt, diretor-titular do Deagro.

O que também ajudou a manter o otimismo foi o bom desempenho dos setores de máquinas e equipamentos agrícolas, cujas vendas no mercado interno subiram 21% no mesmo período, de acordo com Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Desafios do setor

Cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil advém do agronegócio. Essa grande porcentagem demonstra o quão importante é o setor para a economia brasileira. Na recente crise econômica que levou o país à pior recessão de sua história, o agronegócio manteve-se firme e em crescimento, amenizando os efeitos da recessão.

Devido a essa importância para a economia do país, o segmento sofre influência das inconstâncias políticas. A incerteza econômica e as crises governamentais afetam o desempenho do agronegócio nas negociações internacionais e na captação de recursos dos investidores. Em 2019, por exemplo, o Brasil saiu da lista de países que mais atraem investimentos estrangeiros (FDI Global Index), de acordo com a consultoria norte-americana A.T. Kearney.

Além disso, os clientes e consumidores finais estão cada vez mais conscientes e exigentes quanto às questões socioambientais. E como o agronegócio atua diretamente com os recursos naturais e impactam mais visivelmente os ecossistemas, a responsabilidade social e ambiental acaba ganhando um peso maior. Se as empresas do setor não adotarem a sustentabilidade como ferramenta de negócio e não investirem em inovação para diminuir os seus impactos, o agronegócio pode perder acordos internacionais e afastar investidores.

Na contramão da sustentabilidade, o governo tem aprovado medidas que enfraquecem a imagem do agronegócio como um sistema responsável social e ambientalmente – e do Brasil como um país líder no compromisso global pelo desenvolvimento sustentável. Entre as ações do governo estão o mal-estar no relacionamento com a ONU, as críticas a ambientalistas, a liberação de diversos agrotóxicos, a extinção da secretaria de Mudanças Climáticas, a indicação de nomes com pouco ou nenhum histórico na área ambiental para cargos de chefia, flexibilização de leis e acordos, e outras medidas. Contra elas, inclusive, sete ex-ministros do Meio Ambiente se reuniram, no início de maio, para criticar as ações do governo.

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Sobre o uso de agrotóxicos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) já registrou 169 produtos nos cinco primeiros meses de 2019, o que preocupa ambientalistas e profissionais da saúde. Nos últimos três anos, a aprovação e uso de agrotóxicos cresceu consideravelmente. Além dos problemas que causam à saúde humana, os agrotóxicos contaminam o meio ambiente e dizimam populações de polinizadores, como as abelhas, que são importantes para o equilíbrio dos ecossistemas e para a própria agricultura.

Um levantamento realizado pela Agência Pública e Repórter Brasil, apicultores encontraram, em três meses, mais de 500 milhões de abelhas mortas, considerando-se apenas quatro estados brasileiros. O estudo aponta o contato com agrotóxicos à base de neonicotinoides e de Fipronil, proibidos na Europa há mais de dez anos, como a principal causa da morte dos insetos.

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Oportunidades para o agronegócio

Além de toda a sua relevância para a economia brasileira, o agronegócio ainda tem muito potencial para se desenvolver de forma efetiva. E há três soluções para o setor que interagem entre si:

  • – Sustentabilidade;
  • – Cooperativismo;
  • – Inovação.

De acordo com Cleber Soares, diretor de Inovação da EMBRAPA, a sustentabilidade se tornará uma moeda de troca do agronegócio brasileiro. Em entrevista para Estadão, Cleber defende que o país precisa captar cada vez mais valor sobre a sustentabilidade para os produtos e serviços agropecuários.

“Com a métrica da sustentabilidade, só o Brasil pode aumentar a produção, atendendo a um mercado consumidor cada vez mais exigente”, afirma. Soares ainda cita que muitas corporações do setor já utilizam técnicas e ferramentas que tornam a produção mais sustentável: “temos sistemas integrados de produção, florestas plantadas, plantio direto na palha. São valores que passam despercebidos”.

O Brasil é um país privilegiado em recursos naturais – como água e radiação solar -, que são fundamentais para uma produção eficiente na agropecuária, em condições climáticas, que permitem aos produtores colherem mais de uma safra por ano dependendo da cultura, e em biodiversidade, que permitem pesquisas inovadoras para a produção de novos produtos principalmente nos segmentos de fármacos e cosméticos.

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Ou seja, os ecossistemas e a natureza do país são um diferencial competitivo para o agronegócio brasileiro, e devem ser utilizados de forma consciente e sustentável, para que não venham a se esgotar. As mudanças climáticas, escassez dos recursos e perda de biodiversidade impactariam gravemente o sucesso do agronegócio, e por isso a preocupação com esses temas são tão importantes para o Brasil.

A inovação, quando aliada à sustentabilidade, representa uma grande estratégia para o desenvolvimento do setor. A tecnologia no campo está cada vez mais sofisticada, promovendo aos produtores maior acesso a fontes de conhecimento, além de melhorias no maquinário, com foco na produtividade. O uso da tecnologia ajuda o agronegócio a produzir de forma mais eficiente, evitando perdas e aumentando o lucro, a diminuir os impactos socioambientais, a consumir menos recursos naturais e a desenvolver os funcionários e a comunidade ao entorno.

O país já conta com mais de 300 startups focadas na tecnologia para o agronegócio – as agritechs, como são chamadas -. Elas investem cerca de R$ 100 milhões ao ano no país, e são capazes de oferecer qualquer tipo de serviço ao produtor, a fim de melhorar a produtividade. A falta de conectividade no meio rural, entretanto, é um obstáculo para levar esse tipo de inovação ao campo. Contudo, esse desafio representa uma oportunidade para as empresas de tecnologia.

Para promover a inovação tecnológica a serviço da sustentabilidade no campo, as parcerias entre instituições se fazem necessárias. “Temos de olhar para além da agricultura e além do alimento, ser mais protagonistas e indutores na busca de parcerias para alavancar os ativos e derivados das pesquisas”, afirma o diretor de Inovação da EMBRAPA.

E as cooperativas são uma ótima opção de parceria para unir os empresários do campo, principalmente os pequenos produtores rurais. Elas ajudam a otimizar a gestão do negócio e permitem que os pequenos e médios produtores consigam acompanhar o nível dos grandes empresários. Por meio das cooperativas, os produtores encontram ferramentas e compartilham informações para aumentar a produtividade, reduzir custos e a implantar tecnologias e inovações.



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