Água: uma lógica financeira

Fim do mês, eu e meu marido de olho na conta de água. “Por que gastamos mais? – ficamos nos perguntando mês passado. Com minhas duas filhas, a rotina incansável da educação e da disciplina: “fechem a torneira”, “tomem banho rápido”, e por aí vai. Como família, nós sabemos que se usarmos menos, vamos pagar menos e vai sobrar pra mais gente.

Enquanto alguns tratam como lixo, desperdiçando, para outros ter água é luxo. A desigualdade fica evidente no horário nobre da televisão que apresenta pessoas lavando calçadas com a mangueira enquanto outras percorrem quilômetros com uma lata d´água na cabeça e crianças que morrem por sequer ter água para beber. Me parece que ainda não entedendemos a água no contexto de uma sociedade inteira.

Não é necessário repetir que a água é um recurso essencial. O que é preciso gritar é que se trata de uma questão de sociedade, de desenvolvimento, que é sistêmico. Não há vida sem água, não há desenvolvimento sem água, não há o que possa prosperar sem água. É onde social, ambiental e econômico se misturam, onde empresas e pessoas convergem na mesma necessidade, onde todo tem papel fundamental e complementar.

Entre as tantas medidas necessárias, considero que precisamos perseguir uma agenda pragmática para o tema da água envolvendo prioritariamente: i) Medidas de redução de consumo que possam trazer resultados de curto prazo, evitando desabastecimento; ii) investimentos em proteção ambiental, na conservação das florestas, em remuneração por prestação de serviços ambientais amparados por um arcabouço político que permita a criação de novos programas de conservação em larga escala; iii) desenvolvimento de novas tecnologias de tratamento e acesso que apoiem a implantação destes programas. O Fórum Mundial da Água tem a árdua tarefa de apoiar concretamente esta agenda.

Permaneço acreditando no impacto do exemplo. Somos um dos maiores bancos do nosso país e temos consciência da nossa responsabilidade com a sociedade. Nos últimos anos alcançamos 40% de redução no consumo de água em nossas instalações. Analisamos o risco socioambiental em nossos clientes e diferenciamos aqueles que possuem boa gestão socioambiental em suas organizações. Do risco fazemos oportunidades, financiando soluções que permitam reduzir consumo e tornar processos mais eficientes. Muitos de nossos funcionários nos contam que replicam em suas casas o que veem por aqui.

Falando de água estamos falando de um recurso, assim como o dinheiro. Na lógica financeira, para garantirmos nosso futuro temos que planejar bem e começar a executar agora. O fruto de um bom investimento, se colhe amanhã. Respeitando as complexidades da natureza, da sociedade e setor financeiro, a lógica da água e das finanças é a mesma. De olho no futuro, poupar e investir para ter depois e, como resultado, ter o melhor lucro, aquele que traz satisfação e reais benefícios para todos.

Karine Bueno é mãe, cidadã e Superientendente Executiva de Sustentabilidade do Banco Santander




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