Cinco livros de sustentabilidade para começar bem a leitura profissional de 2014

Entre as boas resoluções de início de ano, poucas acrescentam mais valor à carreira e à  formação de um profissional do que atualizar o repertório de ideias e conhecimentos. Janeiro é um bom mês para ler – ou começar a ler – aqueles livros importantes relacionados aos temas da sustentabilidade que você deixou de comprar, mas que podem fazer diferença no seu desenvolvimento. De uma farta lista de possibilidades, recomendo cinco livros básicos, nem todos lançados em 2013.

1) A Terceira Revolução Industrial

Comece a jornada com um clássico: A Terceira Revolução Industrial, (M.Books/2012), de Jeremy Rifkin. O autor, sabe-se, é um dos pensadores sociais mais influentes do mundo – alguns primeiros-ministros europeus, não por acaso, o têm na conta de conselheiro. E é também – vale destacar – um dos mais prolíficos.

Escreveu 18 livros que frequentam a cabeceira dos principais tomadores de decisão no mundo. Nesta nova obra, ele sugere, com o costumeiro brilho, que uma combinação de internet com energias renováveis – o binômio energia-comunicação – ajudará a construir a chamada terceira revolução industrial.

Entre as ideias discutidas, merece destaque a de redes distribuídas de energia. Rifkin acredita que as pessoas produzirão a sua própria energia verde em casa, nos escritórios e fábricas. E mais do que isso, vão compartilhá-la com outros indivíduos por meio de uma espécie de “internet da energia”.

Para o pensador norte-americano, a colaboração geradora de capital social e o poder lateral – menos hierarquizado, com as pessoas participando ativamente da produção de riqueza – determinarão uma nova maneira de governar a sociedade, educar crianças, participar da vida cívica e gerir empresas, resultando em milhares de novos negócios e milhões de empregos. CEOs de todo o mundo estão de olho no modelo proposto por Rifkin. Sugiro que você também tome conhecimento dele nesta obra referencial.

2) Capitalismo Climático

Na mesma linha dos “clássicos”, muna-se de fôlego para enfrentar as 390 páginas repletas de dados de Capitalismo Climático (Cultrix-Amana-Key/2013), de L. Hunter Lovins e Boyd Cohen. O resultado – garanto – mais do que compensará o esforço. Lovins foi coautora de Capitalismo Natural (1999), considerado por muitos o primeiro livro importante a relacionar os desafios ambientais com a ideia de lucro.

Em Capitalismo Climático, apoiados numa extensa e invejável base de informações, os autores partilham a sua convicção de que vão lucrar muito as empresas, governos e sociedades que antes compreenderem e praticarem soluções empreendedoras baseadas em eficiência energética, energia renovável, prédios e bairros verdes e mercados de carbono.

O que confere força à obra da dupla Lovins-Cohen é o fato de que ela não se escora em meras suposições, opiniões retóricas ou projeções futuristas, mas em fatos atuais, costurados a partir de uma análise de exemplos e estudos de casos de empresas e governos modelares no tema. Até mesmo os céticos darão o braço – pelo menos meio – a torcer ante as evidências apresentadas pelos autores.

3) A Via

Ponha na mesma cesta dos clássicos parrudos o ensaio A Via (Bertrand Brasil/2013), de Edgar Morin. O autor dispensa maiores apresentações. No opinião de muitos – incluo-me na lista –, o antropólogo, sociólogo e filósofo francês é hoje o mais fecundo pensador contemporâneo. Com o desafio autoimposto de “reunir o disperso”, Morin  organiza suas reflexões em torno de quatro tipos de reformas com vistas ao melhor futuro para a humanidade.

Entre elas, defende a regeneração das relações sociais e ambientais, e a redução das desigualdades sociais. Prega uma revisão profunda do pensamento, da educação e da democracia cognitiva. Suscita um rico debate sobre reformas relacionadas à medicina e saúde, cidade e habitat, agricultura, alimentação, consumo e trabalho.

E recomenda, por último, o que chama de “reformas da vida”, abordando aspectos  como a família, condição feminina, adolescência, envelhecimento e morte. Leitura absolutamente imperdível. Pelo que tem de profundamente filosófica. Mas sobretudo pelo que carrega de desconfortável, ousada e original, no melhor sentido desses três termos. Discorde-se ou não de Morin, é impossível ficar indiferente a suas ideias.

4) O que o Dinheiro não Compra

Se você ainda não leu O que o Dinheiro não Compra (Civilização Brasileira/2012), de Michael Sandel, não deixe janeiro passar em branco. Consagrado mestre de Harvard, Sandel tornou-se um pop star do mundo acadêmico. Suas aulas-palestras costumam atrair multidões mundo afora.

Tratando de questões muito provocativas, o professor desconstrói uma série de atividades – como, por exemplo, comprar a apólice de uma pessoa idosa com o objetivo puro e simples de receber, no mais curto prazo, a indenização por sua morte – para as quais o mercado confere um contestável valor econômico, incitando reflexões interessantes sobre os limites morais quase sempre deixados de lado.

O livro – penso – equivale a uma aula sobre o papel dos mercados na vida pública e nas relações pessoais e também sobre até que ponto existem bens – que pelo bem da humanidade! – simplesmente não deveriam ser colocados à venda.

5) Justiça – O que é fazer a coisa certa

Do mesmo autor, aproveite também para ler, em sequência, o seu livro anterior, Justiça – O que é fazer a coisa certa (Civilização Brasileira/2009). Com uma ajudinha das ideias de Aristóteles, Immanuel Kant, John Mill, Robert Nozik e John Ravis, Sandel expõe conflitos reais, cotidianos e incômodos, a respeito de escorregadelas morais do mercado, levando-nos a pensar num modelo de sociedade em que seria desejável viver. As dicas estão aí. Bom exercício para as sinapses neste início de 2014.




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