Educar com o audiovisual

Por Sérgio Rizzo

Uma criança caminha por uma praça e atira uma garrafa plástica de água no chão. Um menino pensa em dar um chute na garrafa, mas outra criança o observa e lhe dá uma bronca, explicando o que deve fazer: jogar o objeto no lixo. Em seguida, surge uma terceira criança que, ao fazer o descarte de mais uma garrafa, a atira no recipiente apropriado. É o momento de a “patrulheira” aplaudir o gesto.

Essas situações são encenadas como se os personagens estivessem em um filme silencioso, sem uso de diálogos e fazendo analogias esportivas (com o futebol e o basquete). A história prossegue em forma de corrente e envolverá as crianças de uma escola em um grande projeto sobre reciclagem, com a aquisição de latões para descarte seletivo do lixo.

O filme em questão é La Basura És Plata (O Lixo É Dinheiro). Foi realizado em vídeo digital e tem cinco minutos de duração. Seus realizadores são alunos do Instituto Panamericano, do Panamá. Em maio, eles foram vencedores da etapa latino-americana do KWN 2013 – Kid Witness News, programa educacional voltado para a realização de vídeos por crianças e adolescentes de 10 a 15 anos, com o patrocínio da Panasonic.

Agora, as crianças panamenhas vão disputar — ao lado dos outros quatro finalistas dessa etapa, representando Brasil, Chile, México e Peru — uma das seis vagas para a mostra mundial do programa, a ser realizada no Japão. O KWN foi realizado pela primeira vez nos EUA, em 1989. Hoje, a rede envolve 622 escolas de 29 países.

Tive o prazer de integrar o júri da etapa latino-americana, ao lado de Maisa Zakzuk, diretora de TV e escritora, e de Vera Sanada, da produtora AVENTURAcomBR, responsável pelas oficinas de vídeo digital ministradas nas escolas brasileiras que integram o programa.

Na cerimônia de premiação, realizada em São Paulo, constatei o que todos os envolvidos em projetos semelhantes sabem: o uso do audiovisual na escola cria experiências coletivas que ganham um sentido muito especial para todos os envolvidos — alunos, professores, gestores escolares, pais.

As crianças e os jovens que participam dessas atividades aprendem a se expressar por meio de imagens e sons, a se organizar em equipes para trabalhar de forma cooperativa e a desenvolver uma obra audiovisual — no caso do KWN, um vídeo de aproximadamente cinco minutos em torno dos temas ecologia e comunicação — que tenha alguma espécie de repercussão na própria comunidade (e possa também correr o mundo graças à internet).

Falei aqui do curta-metragem panamenho, mas poderia lembrar aspectos positivos presentes nos outros quatro finalistas. Se quiser assistir a eles, para se inspirar no planejamento e na execução de projetos equivalentes ou por mera curiosidade, me escreva por meio do meu site (abaixo) e encaminharei os links. De qualquer forma, os vídeos expõem apenas o resultado dos projetos. É preciso afinar a visão para ir um pouco além deles e perceber que, no processo de realização, houve um trabalho de conscientização sobre temas de sustentabilidade que fluiu de forma intensa e natural. Tremendamente eficaz, portanto.

Sérgio Rizzo é jornalista, crítico de cinema e professor.

www.sergiorizzo.com.br




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