Estudo NEXT – Especial MPE – Tendência 5: Cadeia de Valor

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Tendência 5: Cadeia de Valor

Efeito dominó

Com a crescente implantação dos programas de responsible sourcing, as grandes empresas, líderes das cadeias de valor, começam a estabelecer regras de conduta e a demandar os fornecedores de pequenos negócios a se adequarem às suas políticas de sustentabilidade

Em 2011, a marca de roupas Zara, do grupo espanhol Inditex, foi autuada por fiscais da Justiça do Trabalho após denúncia de que uma de suas fornecedoras no Brasil mantinha 15 bolivianos e um paraguaio trabalhando em condições de semiescravidão. O mesmo havia ocorrido pouco tempo antes com as Lojas Pernambucanas, também acusadas de contratar empresa que explorava mão de obra na produção de peças para a sua linha de roupas jovens.

À época, um dos executivos da Zara chegou a utilizar argumento semelhante ao que a Nike adotou na segunda metade dos anos 1990, quando também esteve às voltas com denúncia de trabalho infantil e escravo: o de que não poderia ser responsabilizada por um deslize trabalhista cometido por uma empresa terceirizada. Desistiu do argumento porque ele já não mais se sustenta. As empresas são, sim, responsáveis – mais do que jurídica, eticamente – pelos eventuais impactos socioambientais negativos provocados fora dos limites dos seus muros, nos diferentes elos de sua cadeia de produção. Na prática, passaram a ter de internalizar o que antes eram externalidades, movimento de mudança que, entre outros efeitos, resultou em cuidado maior na seleção e gestão de fornecedores: cada vez mais empresas implantam programas de responsible sourcing (fornecimento responsável), estabelecendo códigos de conduta baseados num padrão mínimo de práticas sociais e ambientais, com o qual os seus parceiros devem se comprometer, sob pena, inclusive, de rompimento de contratos.

O compromisso com a sustentabilidade é uma forma de proteger a marca de situações de ameaça – afinal, acusações de desrespeito a direitos humanos ou agressões ao meio ambiente fazem muito mal à imagem. Mas ele será tanto mais legítimo quanto mais as companhias respeitarem o famoso be-do-say (“seja-faça-diga”).

Responsible sourcing: reduzindo riscos, ampliando oportunidades para MPE

Ao praticarem o responsible sourcing, as empresas estão obviamente preocupadas, num primeiro momento, em diminuir os riscos – econômicos (multas e sanções), operacionais e de reputação. Mas muitas delas já começam a enxergar a inclusão da sustentabilidade a partir de uma perspectiva de oportunidades – maior eficiência no uso de recursos e materiais e, portanto, mais economia de custos, mais produtividade e mais rentabilidade. Foi o que fez a Nike. De um posição reativa, no final dos anos 1990, migrou para outra, proativa, na segunda metade dos anos 2000, criando um indicador de sustentabilidade que mobiliza os seus colaboradores e fornecedores, desde o design do produto, em torno de ousadas metas de redução de impactos: menos insumos tóxicos, menos desperdícios, menor uso de energia, menos emissões de gases de efeito estufa, menos resíduos, maior reciclabilidade de tênis e roupas esportivas.

Com tantas novas exigências em jogo, ou os parceiros da cadeia de valor reagem, para não perder negócios, ou agem, antecipando-se à imposição de regras e propondo soluções que vão ampliar os seus negócios. Ou, ainda, se defendem, fazendo o mínimo, por conveniência, como estratégia de sobrevivência. Ou partem para o ataque, identificando oportunidades de melhor atender às demandas socioambientais dos grandes compradores. O NEXT identificou que a sustentabilidade poderá ser, daqui por diante, um importante elemento de vantagem competitiva para MPE integrantes de cadeias de valor. “Esta é, sem dúvida, a maior revolução que acontece hoje no ambiente dos pequenos negócios. O mercado requer cada vez mais, das grandes empresas, a certificação como garantia de sua forma responsável de atuação. Os pequenos negócios constituem a cadeia de valor dos grandes, fornecendo bens e serviços essenciais ao seu desempenho. Essa simbiose de processos tem levado as MPE a introduzirem práticas e estratégias de gestão sustentável como requisito para permanecer nesta cadeia de valor certificada, que possui exigências de comprovação e garantias em todo o ciclo de vida”, afirma Suênia Sousa, gerente do Centro Sebrae de Sustentabilidade.

Gerando valor compartilhado

A consultora Ana Lucia Frezzatti, pesquisadora da FEI, tem a mesma opinião. Especialista em micro e pequenas empresas, ela não tem dúvida de que integrar a cadeia de valor de grandes empresas é uma das principais motivações para uma MPE adotar padrões de sustentabilidade. Em defesa de sua tese, Ana Lucia cita dois estudos a que teve acesso durante processo de pesquisa acadêmica. “Estudos feitos com pequenas empresas do setor plástico mostraram que o fornecimento de peças para as montadoras de automóveis foi fundamental para que elas aceitassem o desafio de mudar suas práticas de gestão. O mesmo ocorreu com pequenas oficinas mecânicas, que passaram a tratar e destinar mais corretamente os seus resíduos, motivadas pela necessidade de se adaptar às regras criadas por grandes redes seguradoras de automóveis para as quais prestavam serviço. Atender às demandas dos contratantes por adequações tecnológicas, inovações, conformidades legais, saúde e segurança no trabalho ajuda as pequenas a incorporar critérios de excelência, melhorar a qualidade dos seus processos e, principalmente,  revisar o seu planejamento estratégico. Na prática, isso as torna mais competitivas”, diz.

Para Ana Lucia, o desenvolvimento de fornecedores comunitários, micro e pequenas empresas locais, representa uma oportunidade real para grandes empresas realizarem ações sociais inovadoras, com benefícios tangíveis de triplo resultado, criando o que Michael Porter define como “valor compartilhado”.



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