Líderes para um mundo em transformação

Por Rodrigo Kede

A aposta das grandes empresas na formação de líderes que estejam preparados para atuar na nova economia, em meio a sociedades cada vez mais complexas e, ao mesmo tempo, mais conscientes de seu papel social está entre as decisões mais estratégicas de um negócio. Essa iniciativa representa um verdadeiro desafio para as organizações, que precisam saber como identificar e motivar pessoas com vocação para liderança num mundo em constante e rápida transformação. São elas que, no futuro, estarão no comando.

Algumas empresas já estão se posicionando nesse sentido. Primeiramente, ao associar ganhos econômicos com a criação de valor para a sociedade – o que vem sendo chamado de geração de valor compartilhado. Essas corporações perceberam que não basta planejar ações de filantropia, responsabilidade social ou mesmo sustentabilidade. É preciso ser genuíno ao propor a seus funcionários, a todas as partes interessadas e para a sociedade em geral algo que esteja no cerne de sua atuação. Começaram a oferecer o melhor de seu know-how para a resolução de problemas a partir da aplicação de valiosos recursos, sejam eles humanos, tecnológicos ou capacidade de inovação, no combate aos desafios atuais da sociedade, promovendo mudanças rumo à sustentabilidade.

Em um segundo momento, essas organizações também começaram a se preocupar em promover o desenvolvimento de determinadas características em seus funcionários, como a motivação por algo maior e o trabalho movido por um senso de pertencimento social e global. Com isso, as pessoas passaram a se sentir conectadas ao trabalho por seus valores.

Por tudo isso, nesses últimos 100 anos, a IBM tem se preocupado em desenvolver e formar líderes do ponto de vista técnico, mas também estabeleceu como prioridade a relação deles com os valores que alicerçam a empresa, como senso de coletividade, responsabilidade e confiança, sustentabilidade e respeito à diversidade.

Nosso objetivo é ajudar a construir o que chamamos de planeta mais inteligente, autossustentável, feito por cidadãos e empresas conscientes de sua responsabilidade. Acreditamos que a globalização, ao aproximar e conectar pessoas, também representa um imenso potencial para aplicar a tecnologia no desenvolvimento de um mundo com menos desperdício e mais eficiente.

Esse processo envolveu pessoas, prefeituras, ONGs, pequenas empresas e vem formando times que trabalham juntos e colaboram para a resolução de alguns gargalos dos mercados emergentes, como educação e infraestrutura.

Por exemplo, ao possibilitar a seus funcionários trabalhar em times multiculturais e fora de seu país, em projetos que contribuam para o desenvolvimento de cidades, a empresa abre ao funcionário a oportunidade de estar exposto a novas situações, imerso em outra cultura.

Com isso, o profissional torna-se capaz de desenvolver habilidades fundamentais a um bom líder, como escuta ativa, trabalho em colaboração e desenvolvimento de soluções com base nas necessidades de uma comunidade, cliente ou cidade; e não em pacotes prontos. Nesse ponto, o profissional vê à sua frente um caminho para a liderança.

Segundo uma pesquisa interna conduzida pela IBM, dos funcionários que participam de atividades como essa, nove em cada 10 concordam que, após a experiência, puderam identificar um aumento em sua produtividade, na capacidade de liderança e de trabalho em equipe. Três em cada quatro afirmaram que isso impulsionou a vontade de fazer carreira na empresa, além de ter um impacto positivo também no trabalho do dia a dia.

Pessoas se conectam a outras pessoas por seus valores em comum. Da mesma forma, líderes devem ser movidos por seus valores para que levem mais longe o alcance das empresas que lideram, com as quais devem também estar em sintonia.

Investir em pessoas que, por meio de suas próprias experiências e vivências, consigam pensar em soluções integradas, sistêmicas e globais para as cidades e suas organizações é definitivamente uma aposta certeira.

Rodrigo Kede é presidente da IBM Brasil.




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