Navegar é preciso

Por Fábio Congiu


Inovar em busca de um melhor relacionamento com as comunidades de seu entorno tem sido uma receita básica para as empresas que pretendem garantir lugar no mercado em futuro próximo. A opção muitas vezes encarece processos, mas trata-se de uma escolha focada em responsabilidades e oportunidades de longo prazo.

Em 2002, a Fibria Celulose S.A. encontrou no mar uma possível solução para reduzir os impactos socioambientais de suas atividades entre Caravelas (BA) e Aracruz (ES), sem prejudicar o ecossistema de baleias e caranguejos característicos da região. Dez anos depois, os resultados animam.

Para diminuir o trânsito de caminhões que transportam toras de madeira pela BR-101 e, consequentemente, reduzir o risco de acidentes e a poluição ambiental e sonora ao longo do trajeto, a empresa tornou-se a primeira do setor a adotar o modal marítimo. A operação, no entanto, não foi nada fácil.

A região entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, próxima ao Parque Nacional de Abrolhos, é marcada pela presença das baleias Jubarte, que vêm para águas tropicais acasalar, reproduzir e cuidar das crias. Por isso, em vez de simplesmente “invadir a praia”, a Fibria optou por desenvolver uma parceria com o Instituto Baleia Jubarte (IBJ), a fim de contribuir com o monitoramento da espécie e encontrar a alternativa mais eficaz para o transporte de madeira para o percurso de 275 km entre suas unidades. Aproximadamente R$ 700 mil foram investidos em pesquisas para determinar a rota ideal das barcaças.

“No início do projeto, apenas 3.396 animais foram contabilizados pelo IBJ. Hoje, registra-se a presença de 11.418 baleias na região”, comemora Milton Marcondes, diretor de Pesquisa do Instituto. A parceria, portanto, não só potencializou o monitoramento como provou que as atividades não prejudicam o ecossistema, com atropelamentos e outros acidentes.

Nos últimos 10 anos, 4,9 milhões de metros cúbicos de madeira foram transportados pelo mar, o equivalente a 195 mil viagens de caminhão. A iniciativa representa uma redução de 63% no consumo de combustíveis fósseis e de 100 mil toneladas de CO2eq. Hoje, saem do terminal marítimo de Caravelas 30% da madeira utilizada na fábrica de celulose de Aracruz. Quatro barcaças cumprem o trajeto. “Esse sistema ainda não é tão econômico quanto o rodoviário. Apesar disso, a intenção é otimizá-lo”, destaca Pedro Moraes Torres Pinto, coordenador de Comunicação da Fibria.

A empresa apoia ainda o Projeto Manguezal na região, parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ambiental do governo brasileiro. O programa monitora o ecossistema de Caravelas e orienta pescadores no uso correto dos recursos naturais. Com um barco-escola, auxilia 350 famílias de ribeirinhos, cuja renda mensal não chega a R$ 90 e dos quais 70% são analfabetos.

Para Ulisses Souza Scofield, responsável pelo Projeto Manguezal no ICMBio, as parcerias com o setor privado são fundamentais. “Se não fosse esse tipo de colaboração, ainda não teríamos nem começado a pôr nossos planos em prática”, admite.

O jornalista Fábio Congiu viajou a Caravelas a convite da Fibria.




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