RH: um parceiro indispensável

Se pensarmos em uma empresa como uma grande locomotiva que leva desenvolvimento por onde passa, e os colaboradores como seu maquinista, sem dúvida, o RH é o trilho. Cabe à área de Recursos Humanos contratar os melhores profissionais para dirigir esse trem. Eles são os responsáveis por gerenciar competências, disponibilizando conhecimento, treinando habilidades e cobrando atitudes. Quando a gente fala de propósito, missão, visão, valores e estratégias são os profissionais de RH que trabalham para o engajamento e a criação de cultura, tirando tudo isso do papel e colocando na prática.

Por entender a importância desse profissional como um parceiro de negócio, e não simplesmente um executor de ações dirigidas, que o Líder 2030 Talks foi buscar os melhores cases nacionais de RHs que estão trabalhando para implementar uma cultura de sustentabilidade em suas empresas. No último 29 de junho, ouvi as experiências de Itaú Unibanco, Duratex, Algar Telecom, Novelis, Ambev, Coca-Cola, Braskem, Vale, Volvo e Nespresso. Profissionais de Sustentabilidade e RH se revezaram no palco para contar suas vivências e inspirar quem estava na plateia.

Um dos pontos marcantes das palestras foi o destaque que o RH ganhou como parceiro importante para a disseminação de estratégias de sustentabilidade e propósitos. Em especial, as falas dos executivos do Itaú Unibanco, Duratex, Novelis e Volvo enfatizaram essa relação. Mas gostaria de me deter aos cinco critérios que Ricardo Voltolini, idealizador e realizador do evento, destacou no início do encontro como norteadores das escolhas dos cases apresentados. São eles:

– Ter um programa de educação corporativa consistente com treinamentos específicos de sustentabilidade para alta direção, média gerência e colaboradores em geral;
– Realizar programas de autoconhecimento e desenvolvimento de valores, como programas de voluntariado;
– Promover ações on the job em que os colaboradores, por exemplo, realizam job rotation para treinar suas habilidades de tomar decisões levando em conta o triple bottom line;
– Condicionamento da remuneração variável a resultados de triple bottom line;
– Manter instâncias internas como plataformas e comitês de sustentabilidade que mantenham em alta a discussão do tema.

O primeiro critério é o famoso, arroz com feijão. Quando você tem uma estratégia de sustentabilidade, com eixos, objetivos, ações e metas, capacitar seus colaboradores para colocar isso em prática já é visto pelo mercado como o step one. No encontro, quase todas as empresas falaram como a sustentabilidade já faz parte de módulos de escolas corporativas, integração de novos profissionais e até ações de responsabilidade social. Mas o case que mais chamou minha atenção foi o da Nespresso. Lá, a capacitação em sustentabilidade chegou aos produtores de café. A empresa entendeu que para ter o nível de qualidade e comprometimento que eles exigiam, era indispensável capacitá-los. Um grupo de agrônomos treinados pela própria Nespresso é responsável por qualificar os agricultores. Ganha a empresa com uma matéria-prima de mais qualidade, ganha o produtor que está mais preparado para atender seus clientes e gerir sua propriedade e ganha o meio ambiente com um manejo mais sustentável dos recursos naturais. Mais completo, impossível!

Falando de programas de autoconhecimento e desenvolvimento de valores, é mais fácil achar iniciativas focadas nas crenças da empresa e nos valores corporativos que devem reger todas as pessoas de uma organização. Mas quando falamos em colocar esses valores para servir e colaborar, o buraco é mais embaixo. Na minha visão, dois cases tiveram destaque. Na Ambev, o Programa de Voluntariado Voa leva para 2 mil ONGs uma das fortalezas da companhia: seu modelo de gestão. Os colaboradores prestam consultoria para que as instituições alavanquem sua atuação e sua área de abrangência. O outro exemplo é da Braskem. Eles têm uma adesão recorde no seu Programa de Voluntariado com 10% de seus colaboradores. Realmente um engajamento impressionante, ainda mais se considerarmos o número de voluntários no país. Segundo dados do estudo lançado em 2017, o Além do Bem – Um estudo sobre voluntariado e engajamento, somente 18% da população brasileira pratica voluntariado.

Ao olhar para as ações on the job, poucas empresas se deteram nesse tema. A Coca-Cola foi a que mais falou sobre isso. A executiva destacou como profissionais de diversas áreas passam uma temporada na Sustentabilidade para que seja “implantado o chip da sustentabilidade” em cada um deles. Ao voltar para suas funções, eles estão mais aptos a tomar decisões considerando o triple bottom line. Eu, como uma entusiasta da metodologia learning by doing, acho esta uma ferramenta poderosa para a criação de cultura de sustentabilidade que poderia ser mais explorada.

As instâncias internas também estavam presentes nos cases. A que mais chamou minha atenção foi da Algar Telecom. O Comitê de Sustentabilidade da companhia tem objetivos, ações, metas e multiplicadores. Bom, mas isso é tudo que se espera de um grupo de trabalho como esse. O que eu achei mais interessante é a customização. O que é falado e decidido nesse comitê de 49 pessoas é traduzido para a realidade de cada área. Cada profissional entende qual sua parcela de contribuição e como aquilo se encaixa no seu dia a dia, de maneira clara e objetiva. Assim, o engajamento fica muito mais fácil!

A cereja do bolo, sem dúvida, é o condicionamento da remuneração variável aos objetivos de sustentabilidade. Essa prática demonstra o nível de amadurecimento da empresa no tema e a capacidade de seus líderes de entregar resultados com valores. No encontro, falaram sobre isso Algar Telecom e Braskem.

É notável que o RH, assim como diversas áreas corporativas, ainda tem um bom caminho a percorrer para colocar a sustentabilidade no DNA de suas ações. Nesse sentido, o guia lançado no encontro, Sustentabilidade para RH: 10 desafios, pode ser de grande valia para apoiá-los nessa empreitada. O material foi elaborado por Ricardo Voltolini em parceria com a ABRH-Brasil –uma aliança que certamente renderá outros frutos.

Dentro da proposta do evento, gostaria de ter visto mais falas sobre como as competências da liderança sustentável fazem parte dos Planos de Desenvolvimento Individual (PDI). E de que maneira os temas abarcados no guarda-chuva da sustentabilidade (ética, transparência, diversidade, respeito ao outro e cuidado com o meio ambiente) são trabalhados nos treinamentos. Claro que analisar impactos socioambientais e ter critérios de sustentabilidade nas operações é importante. Mas gostaria de saber mais sobre como a sustentabilidade está passando a fazer parte das crenças e competências dos colaboradores. Como estamos criando líderes que agem por convicção?

Fique ligado! Em breve, estarão publicados aqui no site da Plataforma Liderança Sustentável os cases dos líderes que se apresentaram no evento:

  • Claudia Politanski, vice-presidente executiva das áreas Jurídico e Ouvidoria, RH, Relações Governamentais e Comunicação Corporativa do Itaú Unibanco;
  • Luciana Alvarez, gerente de Sustentabilidade e Comunicação da Duratex;
  • Cristiana Heluy, head de Comunicação e Sustentabilidade da Algar Telecom;
  • Glaucia Teixeira, vice-presidente de RH da Novelis América do Sul;
  • Renato Biava, diretor de Pessoas da Ambev;
  • Andrea Mota, diretora de Sustentabilidade da Coca-Cola;
  • Marcelo Arantes, vice-presidente de Pessoas, Comunicação, Marketing e Desenvolvimento Sustentável;
  • Fernanda Zardo, gerente de Educação Corporativa da Vale;
  • Carlos Ogliari, vice-presidente de RH e Assuntos Corporativos da Volvo
  • Marcia Bertolini, head de RH da Nespresso Brasil.

 

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