Web 2.0 e inovação

Festejadas nos mais variados círculos de discussões, as redes sociais na internet caíram nas graças do público e das empresas, que já enxergam nelas uma poderosa ferramenta para gerenciamento de crises e diálogo com seus diferentes públicos de interesse.

Segundo a pesquisa Social Media Survey, realizada pela consultoria McKinsey, em 2009, 80% das companhias já utilizam alguma rede social para engajamento interno e externo. Mas o potencial da web 2.0 vai muito além da gestão do capital reputacional. A experiência de interatividade proporcionada por plataformas como Twitter, Facebook e Ning tem se revelado como uma importante fonte de inovações, orientando empresas no aprimoramento de suas soluções, desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços.

As próprias redes sociais são um exemplo nesse sentido. Concebidas como plataformas abertas, elas ganharam usos não previstos pelos programadores nas mãos de pessoas comuns – ótimo exemplo de inovação pelo usuário final.
E esse é só o aquecimento em uma cultura emergente caracterizada pela transparência e inteligência coletiva. À medida que qualquer pessoa com acesso à internet pode disseminar seu conteúdo ou se tornar um crítico, as estruturas organizacionais e políticas também se alteram de forma significativa.

A lógica das redes é nova e desafia as organizações a criarem estruturas descentralizadas, capazes de extrair o máximo da inteligência existente na instituição e fora dela.

As redes sociais estimulam as pessoas a compartilhar seus conhecimentos e auxiliam as organizações a transformá-lo em ativo perene. Um exemplo simples: se um funcionário deixa de trabalhar para a empresa, mas mantém com ela uma relação de respeito e confiança, seus conhecimentos não serão perdidos, pois ele continuará orbitando na rede de relacionamentos da companhia, seja como consumidor ou outro tipo de stakeholder.

Com o objetivo de identificar qual o real valor das redes sociais para as empresas, a consultoria Sustainability produziu o documento Aprimorando o Engajamento de Stakeholders por Meio das Redes Sociais (do inglês Enhancing Stakeholders Engagement Through Web 2.0). Esse levantamento analisou a utilização das mídias sociais pelas empresas nos últimos anos, contemplando desde blogs, microblogs, plataformas wikis, jogos virtuais e youtube.

Os pesquisadores da Sustainability reuniram experiências interessantes da sua base de clientes como a do MyStarbucksIdea, plataforma que permite aos consumidores compartilharem suas ideias em relação às atividades da empresa. Em resposta a essas sugestões, a multinacional, com sede nos EUA, hoje oferece sobremesas livres de glúten e se comprometeu a utilizar copos 100% reutilizáveis ou recicláveis em suas lojas, até 2015.

Na mesma linha, a Dell utilizou sugestões publicadas por seus públicos na comunidade IdeaStorm para formular a sua estratégia de embalagens verdes. Por meio dessa iniciativa, a empresa planeja eliminar nove milhões de quilos de embalagens em quatro anos.

A Nike, por sua vez, criou o GreenXChange, plataforma pela qual compartilha conhecimento com públicos externos como empreendedores, cientistas e até concorrentes para buscar soluções sustentáveis.

Enquanto isso, no Brasil, país onde os usuários passam mais tempo conectados a redes de relacionamento, a Natura criou uma comunidade semelhante ao Ning, onde integra diferentes públicos de interesse. Mas a grande novidade dessa plataforma, denominada Natura Conecta, fica por conta do Wikireporting, seção onde a empresa discute com os usuários os principais desafios e dilemas relativos ao seu negócio. As principais questões levantadas nesses fóruns online foram levadas para discussão nos seus paineis presenciais de stakeholders e os apontamentos resultantes desse diálogo serão contemplados no seu relatório de sustentabilidade deste ano.

Também há o exemplo do Práticas em Sustentabilidade, plataforma criada pelo Real (hoje grupo Santander) para compartilhar a experiência do banco na integração da sustentabilidade ao seu negócio. O projeto, que teve início de forma presencial, ganhou uma plataforma na internet em 2008 justamente para atender à crescente procura pelos cursos que passaram a ser oferecidos também em formato e-learning, ampliando exponencialmente o número de beneficiados. Apenas em 2009, o site recebeu um milhão e 400 mil acessos, de acordo com informações do próprio banco.

Os números são expressivos e revelam o potencial desse tipo de abordagem, que ajudará a apontar os caminhos para novos modelos de negócios sustentáveis.

Como as empresas estão usando as redes sociais:

Nike
GreenXChange: ferramenta que permite a publicação de patentes associadas a inovações sustentáveis. Tem permitido à empresa trabalhar com stakeholders externos como empreendedores, cientistas e até concorrentes para compartilhar conhecimento e soluções para a sustentabilidade.

Philips
A empresa usa o Second Life como uma plataforma para compartilhar e desenvolver ideias com seus stakeholders, além de promover encontros do seu CEO com a mídia, entre outros formadores de opinião.

Chevron’s
Energyville, uma espécie de jogo, onde os usuários escolhem como abastecer uma cidade de 5,9 milhões de pessoas, equilibrando variáveis ambientais, econômicas e sociais.

Starbucks
MyStarbucksIdea – plataforma que permite aos consumidores compartilharem suas idéias em relação às atividades da empresa. Em resposta a essas sugestões, a Starbucks hoje oferece sobremesas livres de glúten. A empresa também se comprometeu a utilizar copos 100% reutilizáveis ou recicláveis em suas lojas até 2015.

Dell
IdeaForm – mesma proposta da MyStarbucksIdea.
Ambas as empresas comunicam as ideias que foram implementadas.

Zappos
A companhia tem mais de 300 funcionários “tuitando” o dia todo, incluindo o seu CEO. Os assuntos variam desde as atividades diárias até respostas a perguntas de clientes.

Timberland
Em vez de esperar que seus stakeholders visitassem seu site para conhecer seu relatório de responsabilidade social, a empresa decidiu disponibilizá-lo na rede social Just Means.

NaturaConecta
Comunidade Ning criada para integrar os grupos que se relacionam com a Natura. Discussões nessa rede orientaram a definição de temas materiais para o último relatório de sustentabilidade da empresa.

Espaço Real de Práticas em Sustentabilidade
Site que traz experiência do banco e de outras empresas na implementação de estratégias de negócios baseadas na sustentabilidade. Oferece cursos online relacionados ao tema.



Quem já contratou




Leve essa ideia para sua empresa: Contate-nos

Compartilhar:
Tags:

 

twitter

Parceiros